Pesquisa
domingo, 10 de agosto de 2014
Fé
Acredito tanto em Beatles
Nas brincadeiras do Nazareno com crianças
No guarda-roupa de Francisco
Na vista do Corcovado
Em cantar na chuva
Nos pássaros do coração de Beethoven
Nas andanças de Chaplin
Nas paixões de Woody
Na gramática de Manoel de Barros
E em cortar estradas
Como quem abraça a Infância.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Ilusão
Ás vezes quando chove
Fico triste
Ás vezes , alegre
A natureza ás vezes
Irriga o chão
Ás vezes não
A Natureza é Verdade
Eu estou em ilusão.
domingo, 12 de janeiro de 2014
Janeiro
As manhãs e as tardes eram azuis
E o coração do homem se acalmava
Pois os desejos tinham
Travesseiros de nuvens
Porém o cinza rendeu o azul
O coração do homem
Abraçou a melancolia
A vida é um rio camaleão
A transportar cadáveres:
Sonhos, deuses, homens, máquinas
Morando na solidão
O homem escreve
Mas é inútil
A poesia é um mar
Encontro de vários rios
Águas nada fáceis de navegar
Inapropriadas para o deleite turístico
O homem, funcionário público
Parco salário
Esquecidos sonhos
Profundas frustrações
Tenta se encontrar
Nos mares da poesia
Mas as marés não são piedosas
Na vida e na poesia
As respostas são proferidas
Em desconhecidos idiomas
Solitário em sua casa
Indiferente à chuva que cai
Todo entregue
À peleja com as palavras
O homem digita.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Woody Allen nosso
domingo, 8 de dezembro de 2013
Horóscopo
Não odeie a chuva
Não odeie o calor
Não odeie o vento
Não odeie o escritório
Não odeie os mosquitos
Não odeie os aviões
Não odeie o seu emprego
Não odeie suas férias
Não odeie a TV de domingo
Não odeie a linguagem científica
Não odeie o mau gosto
Não odeie os suplementos culturais
Não odeie os ônibus
Não odeie as bicicletas
↓≠
Pense em algo que não mata
Sonhe com cores e canções
Siga respirando cansado
A Grande Noite virá
Mas o que ela nos reserva
Quem saberá?
Porém o dia foi feito
Para suportar e para amar.
∞
Presépio
Nasceu
uma sabedoria iluminada
As mais jovens páginas do Velho Livro
Dificultam o olvido
Os
humildes pastores vieram
A
família eleita sorri
O
angelical coro
A
sublime cena sublinha.
A
Fraternidade quer varrer
Dos
dias os ódios
Como
quem limpa a casa
Para
torná-la perfumada e agradável.
Estrela
de Belém no Livro e nos livros
Os
que dizem que nasceu a mentira
Não
creem e se desesperam
Os
que dizem que a Verdade foi parida
Profetas da falsidade são.
Estrela
de Belém nos pinheirinhos
Mortes
e guerras nas ruas
Pessoas
apressadas para comprar
Lentas
para refletir
Automóveis
poluem e ensurdecem
Nos
fones modismos musicais
A
razão se atrofia
Os
ódios não saem de moda.
Estrela
de Belém em águas profundas
Velho
menino
Presépio
palestino
Tua
sabedoria é vista
Apenas
por valorosos escafandristas
O
canto de teus anjos
Teus
versos de paz
Aos
ouvidos da humanidade
Por
peixes são declamados...
∞
domingo, 20 de outubro de 2013
Sombras e raios de sol
(Baseado no filme “A
pequena loja dos suicídios”)
Não há cores vivas para pintar
Não há palavras suaves para escrever
Não há galos para acordar o sol
Não há férias no calendário
Não há cansaço do algoz
A infelicidade se senta num trono de fel
±
Mas no reino do desespero
Uma criança nasce sorrindo
E uma família desiste de morrer
E uma cidade opta por viver
Em um outrora impossível renascer
Os suicídios perdem batalhas
Para a alegria…
∞
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