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domingo, 8 de dezembro de 2013

Presépio


 

 Estrela de Belém no céu

Nasceu uma sabedoria iluminada

As mais jovens páginas do Velho Livro

Dificultam o olvido

Os humildes pastores vieram

A família eleita sorri

O angelical coro

A sublime cena sublinha.

A Fraternidade quer varrer

Dos dias os ódios

Como quem limpa a casa

Para torná-la perfumada e agradável.

 

Estrela de Belém no Livro e nos livros

Os que dizem que nasceu a mentira

Não creem e se desesperam

Os que dizem que a Verdade foi parida

Profetas da falsidade são.

 

Estrela de Belém nos pinheirinhos

Mortes e guerras nas ruas

Pessoas apressadas para comprar

Lentas para refletir

Automóveis poluem e ensurdecem

Nos fones modismos musicais

A razão se atrofia

Os ódios não saem de moda.

 

Estrela de Belém em águas profundas

Velho menino

Presépio palestino

Tua sabedoria é vista

Apenas por valorosos escafandristas

O canto de teus anjos

Teus versos de paz

Aos ouvidos da humanidade

Por peixes são declamados...


 

 

 

 

 

 

domingo, 20 de outubro de 2013

Sombras e raios de sol


 

(Baseado no filme “A pequena loja dos suicídios”)

Não há cores vivas para pintar

Não há palavras suaves para escrever

Não há galos para acordar o sol

Não há férias no calendário

Não há cansaço do algoz

A infelicidade se senta num trono de fel

±

 

Mas no reino do desespero

Uma criança nasce sorrindo

E uma família desiste de morrer

E uma cidade opta por viver

Em um outrora impossível renascer

Os suicídios perdem batalhas

Para a alegria…


 

domingo, 8 de setembro de 2013

Quadrinhas



Quadrinha do ensinamento

Um poeta popular

Me ensinou que rimar

É fazer a língua namorar

Pra beleza não acabar

Quadrinha da distorção bíblica

Feliciano disse que o negro é amaldiçoado

Ficando o preconceito justificado

Ele que se considera abençoado

Na Idade Média deve ter estudado

Quadrinha natalina

Nasceu o Deus menino

Em solo palestino

Se fosse brasileiro seria nordestino

E pregaria a Brasília o amor genuíno

Quadrinha pra Oswald de Andrade

Oswald botava pra quebrar

Fez uma obra salutar

Sem linguística estudar

Sabia que o preconceito linguístico tem que acabar

Quadrinha sobre as colônias de exploração

Não sei fazer quadrinha

Mas necessidade eu tinha

De rimar do catador a latinha

Com as caravelas do Caminha

Quadrinha para Ana Paula

Contigo me casar

Não pôs fim ao nosso namorar

Tentar te encantar

É retribuir teu profundo amar

Quadrinha do plágio

Se a um grande poeta plagiar

Não vá simplesmente vadiar

Roube para homenagear

E também para reinventar

Quadrinha do transporte coletivo em Neves

A empresa mudou

O ingênuo acreditou

Esperando estou

Como era tudo ficou

Quadrinha Americana

Prezado Cristovão Colombo

O teu feito não vale um pombo

Não adianta esconder com um biombo

Que o europeu fez cá um grande rombo

 

 

 

 

 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O grande mestre

O escritor em crise criativa decidiu procurar o grande mestre. Percorreu caminhos íngremes, enfrentou feras selvagens, o frio, a fome e a fadiga até chegar á morada do augusto ancião. Quando finalmente estava diante do supremo sábio, as palavras, tanto tempo sufocadas, saíram-lhe em cascata:
__Mestre, não consigo escrever nada. Os editores me pressionam, mas eu nada consigo produzir. O que farei, se  estou em grandes dificuldades econômicas, o que farei, oh sapientíssimo? Dê-me uma fração de tua iluminação!
O esplêndido guru continuou tomando placidamente o suavíssimo chá preparado pelo mais elevado de seus auxiliares. Em seguida, olhou penetrantemente nos olhos do suplicante, abriu um sorriso que emanava a mais sublime sabedoria, ou seja, uma inteligência vizinha da Mente de Deus. Por fim, o mestre, benevolamente, falou á alma desesperada que lhe procurava:
__Eu também estou há muito tempo sem escrever. A diferença entre mim e você é que meus livros de autoajuda vendem bem e eu tenho dinheiro para viver confortavelmente por longos anos.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Pequena vida

Em sua pequena vida ainda não conheceu o amor. Ele é uma criança com alguns cabelos brancos. Não viu os jardins flutuantes. Não viu as estrelas beijarem o chão. Não ouviu a Bob Dylan, com o vento e o  tamborim. Todos os dias saindo para trabalhar, enxergando as coisas em preto e branco. Sem saber dos peixes que pulam nas redes e dos tesouros que procuram quem seja capaz de possuí-los.
A vida o aguarda. Os carnavais adormecidos não cobrarão juros. Seus solitários planos encontrarão quem possa compartilhá-los. A chuva lavará almas e ruas. A luz entrará por frestas, o que precederá o advento das janelas. Ele nascerá outra vez, muitas vezes tornará a morrer, mas o que importa é que as fotografias do paraíso permanecerão bem guardadas.

Não corrigirás

Não corrigirás
Tua miopia e teu astigmatismo
Eternos são.
O mundo para ti é fosco

Usarás lentes grossas
Sustentadas por pesadas armações
Terás as marcas dos óculos em tua face
À Genética pertence a soberania
                        *

Mas talvez você tenha outros olhos para ver
Olhos que verão as cores
Em suas melhores versões
Olhos que encontrarão a perfeição platônica
Olhos para estar entre os verdes, azuis, lilases,
Amarelos e amanheceres
 
Talvez.
Você sempre terá o talvez.


Meditando

Estrelas dentro de mim
Rios de sorrisos

Cascata de nuvens azuis

Nenhum filme do mundo
Pela beleza que há em nossos interiores

Exploradores de nós mesmos
O nada é o tudo
Quando o mundo é silenciado
O que importa é escutado

Raios de suavidade
Estamos dentro da terra
Acima do chão
Dentro da escuridão
Iluminados...

Estrelas dentro de mim
Rios de sorrisos...