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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Um mundo a ser criado

O relógio de areia se esgota
Entretanto, há um mundo a ser criado
Estrelas que não são vistas
Estradas para serem consertadas
Luas sem inspirar versos
Hospitais que não curam
Noites sem paz
Escolas que não ensinam
Manhãs sem ânimo
Humanos sem moradas
Verdes que dizem adeus
Vidas que não esperam mais vida

Enquanto o relógio de areia se esgota
Ainda há um mundo a ser criado.

Porto Seguro

Ônibus. Aeroporto. Avião. Hotel. Areia. Mar. Sol. Céu. Paz. Alegria. Bahia.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Triste


Os pássaros cantam

As estrelam cintilam

As flores vicejam

A lua está cheia

Os crepúsculos são coloridos

 Os Beatles existiram

Os aviões nos levam para a praia

 

Mas o que me importa?

 
Sou triste.

Depois de tanto tempo


Depois de tanto tempo

Onde estão meus sonhos de infância?

 

Manhã que desaba

Tarde, noite, não pedem licença

Tudo tão angustiante

 

Músicas ao longe

Mágoa, lágrimas tão perto dos olhos

 

Futuro indistinto do passado

Os erros tão assíduos

A noite deserta de paz

Vacas magras, espigas mirradas

 

Dias nublados

Calendário: responsabilidades; sete dias úteis

 
Quando em meu coração, será natal novamente?

sexta-feira, 7 de junho de 2013

ÀS FLORES DE MAIO


As manhãs tornaram-se mais douradas

O sol mais benigno

Os fardos mais leves

A esperança mais robusta

E os ruídos quase se fizeram música

Graças a teu suave florescer!

domingo, 26 de maio de 2013

A glória


Estava com o grande galardão literário nas mãos. Preparava-se para ser aclamado. Jornalistas que buscavam a Neymar o atropelaram.

sábado, 20 de abril de 2013

A palavra


Entra na biblioteca e procura avidamente por um dicionário de língua portuguesa. Deseja, como nunca desejou outra coisa, o significado de certa palavra. A ânsia pela compreensão deste vocábulo salta de seus olhos lunáticos. Não revela a ninguém qual é o verbete almejado, apenas pede à bibliotecária que procure pela letra O no calhamaço.

Letra O de obscuridade e obsessão, como os mais sigilosos desejos humanos.

(Ana Paula e Erinilton Gomes)