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sábado, 20 de abril de 2013

A palavra


Entra na biblioteca e procura avidamente por um dicionário de língua portuguesa. Deseja, como nunca desejou outra coisa, o significado de certa palavra. A ânsia pela compreensão deste vocábulo salta de seus olhos lunáticos. Não revela a ninguém qual é o verbete almejado, apenas pede à bibliotecária que procure pela letra O no calhamaço.

Letra O de obscuridade e obsessão, como os mais sigilosos desejos humanos.

(Ana Paula e Erinilton Gomes)

 

 

 

 
              

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Django

No filme Django Livre temos a construção de um cowboy.O personagem de Jamie Foxx realiza a transição de um escravo a um pistoleiro livre. Vemos esta transformação nos momentos em que o personagem principal é treinado pelo Dr. Schultz como matador profissional e quando utiliza diversos figurinos até se tornar na materialização perfeita do herói do faroeste americano.
Ou seja, em Django Livre, a liberdade é a liberdade do cinema. Um escravo é livre quando se transforma em um personagem livre do cinema. Tarantino mais uma vez reafirma o seu modo fundamentalmente cinéfilo de fazer cinema.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O deserto

O senhor Deserto está extremamente feliz. Em breve receberá a visita do seu velho amigo, o senhor Mar.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Jardim do polvo

Oito braços que semearam  If I Fell, Yesterday, Here Comes the Sun, Because e outras rosas.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Preguiça

Um poema preguiçoso
Sem consulta ao dicionário de rimas
Sem métrica, sem diálogo com
A POESIA OCIDENTAL
OU COM OS ESTUDOS CULTURAIS

Um quase aborto, sem alma,
Sem iluminar os desesperançados.
Sem receber o Ok dos intelectuais.

Ele persiste.
Quer ser parido.
Quer dizer algo, ainda que este algo não seja coisa nenhuma.
Ainda que seja como um sermão de Father McKenzie
Ecoando no deserto daqueles que ouvem funk com fone de ouvido.

Ele é o outro lado da moeda do silêncio
Ele é o não desistir
Ele é a pílula anticoncepcional para desejos suicidas.

Ainda que preguiçoso
Ainda que não abençoado pelas musas
Ainda que severino
Ainda que gauche
Ainda que carente de engenho e arte

Ainda assim

poema...?

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O menino na terra dos gigantes



Primeiro capítulo: a queda

Fernando era um menino muito querido pelos pais. A mãe de Fernando, dona Francisca, era muito preocupada com o filho e estava sempre dizendo:

__Menino, não se afaste muito de casa.

Mas Fernando gosta muito de se aventurar. De sair pelas ruas para ver como é o mundo.Um certo dia, ele encontrou um lote abandonado. Resolveu entrar e ver o que havia lá. O mato estava muito alto. Fernando foi andando pelo lote, até que pisou em falso e começou a cair. Estava caindo em um poço. Fernando permaneceu caindo durante muito tempo.

Segundo capítulo: Na terra dos gigantes

Fernando parou de cair e se viu em uma grande área verde. Em sua volta, ele via árvores que chegavam até as nuvens. De repente ele ouviu um grande barulho!

Era um desfile de pessoas. Mas de pessoas enormes! Muitas pessoas, cujas cabeças quase tocavam nas nuvens. Fernando ficou muito assustado e quis correr dali.

Mas um gigante pegou Fernando pela mão e disse:

__Oba, achei meu café da manhã.

Fernando ficou assustado. Quis se livrar do gigante. Mas o homem era mil vezes mais forte que ele. Tentou gritar socorro, mas sua voz soava fraca naquele lugar de pessoas gigantescas.

Terceiro capítulo: Café da manhã do gigante

O gigante amarrou Fernando com uma corda em sua mesa e foi buscar uma faca. Ele dizia.

__Oba, oba, vou comer um aperitivo!

Fernando teve muito medo e começou a rezar. O gigante comilão voltou da cozinha com uma faca brilhante.

Quarto capítulo: João Grandão

O gigante aproximou a faca do corpinho de Fernando quando ouviu umas pancadas na porta. Foi atender e viu alguém de que quem ele não gostava.

Era outro gigante, maior e mais forte que ele. O gigante visitante disse:

__Eu vi você entrando com um humano. Você sabe, Joaquim, que a caça aos humanos está proibida, porque eles estão em extinção.

__Eu não cacei o humano, eu o achei deitado no chão. João, não se meta em minha vida.

__É proibido comer os humanos, você sabe disso. Eu vou pegar o humano. E não tente reagir, se não eu vou ter que bater em você.

Joaquim, o gigante que queria comer Fernando tinha muito medo do outro gigante e por isso deixou que ele levasse o menino.

Capítulo quinto: O caminho de volta

João, o gigante bondoso, pegou Fernando pela mão, de forma que não o machucava e disse:

__Não se preocupe humaninho, vou te levar de volta para casa.

Fernando confiava nele.

Os dois passaram por um caminho diferente. Fernando nunca havia visto flores tão belas, nem árvores com frutos tão gostosos quanto viu naquele caminho de volta. Nem animaizinhos tão graciosos. Pássaros faziam sons lindos.

Fernando pegou muitas flores para dar para a mãe. E como brincou com o gigante! Nadaram no rio juntos.Porém, o melhor foi andar em cavalo marinho. Fernando nem viu o tempo passar.

Seguiram caminhando, vendo coisas belas e conversando como velhos amigos. Até que sem saber como, Fernando se viu no quintal da casa dele. Viu a mãe e o pai sentados na varanda, com caras tristes e preocupadas.

Fernando olhou para o gigante e perguntou:

__João Grandão, por que meus pais estão tristes?

__Eles estão preocupados com o seu sumiço. Agora vá até ele e lembre-se que não chegou o tempo de você ir para a terra dos gigantes.

Fernando se despediu de João abraçando o sapato dele e correu até a mãe e o pai. Os dois não conseguiam acreditar no que viam. A mãe queria brigar com o filho, mas perdeu a vontade quando ele mostrou uma flor linda e cheirosa para ela, dizendo:

__É para você, mamãe.